sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Moon.

  Acordei como vento batento levemente no meu rosto. Não havia visto que a porta da sacada havia ficado aberta e que as cortinas, que eram feitas de um tecido fino e brilhante como organza, estavam voando livremente. Não tinha percebido como a lua estava grande, bonita e brilhante e, de uma certa forma, fazia com que a noite parecesse menos sombria e mais bonita.
  Me enrolei no lençol e o deixei dormindo descoberto na cama. Estava dormindo tranquilamente, com certeza não acordaria tão cedo, muito menos tão fácil. O lençol era espesso o suficiente para eu não sentir frio por causa do vento gelado da noite, mas fino o suficiente para eu poder sentir o vento passando por volta do meu corpo.
   Me aproximei um pouco mais da sacada...  já podia sentir o vento batendo delicadamente contra os meus lábios, fechei os olhos e não percebi quando eu entreabri os meus lábios. O vento batia de uma maneira tão prazerosa. Conseguia sentir ele fazer gelar os meus lábios, a ponta do meu nariz. Podia sentir os meus cílios se balançando levemente como se estivessem dançando com o ar. Meus cabelos voaram... junto com isso veio a gostosa sensação de liberdade. A sensação de aquele era o meu momento.
  Juntando tudo isso com a Lua, me fez pensar que aquele era o meu momento, o meu lugar. Não havia outro lugar melhor para estar, muito menos uma posição melhor. Eu não conseguiria olhar a Lua dessa forma se eu estivesse deitada na cama ao lado dele. Não que ele me impedisse de ver a Lua, mas eu não me sentiria bem se ele estivesse ali comigo, do meu lado. A Lua é como o meu ponto de paz... Quando eu olho pra ela, é como se todos os meus problemas acabassem e o mundo parasse por apenas um segundo.
  Nesse um segundo é como se tudo o que eu queria ser em sonho fosse verdade. As vezes eu queria ser um passaro pra poder voar ou simplesmente uma pena para flutuar no vento por muito tempo. Queria ser menor, para ver a Lua como uma coisa mais grandiosa ainda. Mas ao mesmo tempo, que queria ser gigante pra conseguir segurar toda aquela beleza com as minhas mãos.
  - Isso é um sonho?
  Ouvia a voz bem fraca, como quando ele acaba de acordar. Quando olhei para trás, percebi que ele estava deitado me olhando. De repente se levantou e veio caminhando lentamente e preguiçosamente, como se o tempo passasse devagar. Me abraçou por trás e segurou o lençol junto. Me deu um beijo discreto na curva do pescoço.
  - Não é um sonho. Mas mesmo assim, boa noite.

Beatriz Hirata

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